Se observarmos a grande maioria da publicidade para vender planos de previdência privada, encontraremos, com frequência, uma chamada de capa com alguém curtindo o sol, numa bela praia ( ou algo similar ), bem acompanhado, saboreando uma caipirinha e sem fazer nada . Isso representa o direito a um merecido descanso, como um prêmio, após todo sacrifício e dedicação a um duro trabalho durante longos anos….
Percebemos aí a associação de trabalho como um sacrifício necessário para a conquista do paraíso no futuro.
Tal associação encontra perfeita correlação com o Gênesis, quando Adão, por ter infringido algumas normas, passou a ter que trabalhar a terra para obter o próprio sustento, dado que não teria mais à sua disposição, gratuitamente, as benesses do paraíso.
Passou então a ser necessário um trabalho, um sacrifício para retornar à boa vida… Lembrando que sacrifício, nesse caso, corresponde a sacro ofício, ou ‘sagrado ofício’: o trabalho executado para reconquistar o direito de voltar ao paraíso divino.
Se já na sua origem a palavra trabalho carrega uma conotação não positiva, pois deriva de ‘tripalium’ (um instrumento de tortura da antiguidade), quando associada então ao serviço pesado, exploratório, à punição, a castigo, ou a sacrifício, como no caso de nosso pobre Adão, completa-se o significado cultural tão negativo atribuído ao termo trabalho.
Ele parece ser uma grande penalidade a que quase todo ser humano está sujeito para conseguir sobreviver, até ganhar o direito de algum descanso no futuro, provavelmente já alquebrado e sem muitas condições de usufruir desse ´prêmio’ (se é que sobreviverá até lá…).
Pode estar aí a raiz de ideias sobre levar vantagens; sobre o imediatismo; sobre ser mais esperto; enrolar o patrão; conseguir um emprego garantido que exija pouco esforço (cuja maior representação podemos encontrar na ânsia por empregos públicos, ou nos esforços eleiçoeiros que geram políticos perenes, etc.).
É justamente nesse contexto que é colocada a questão título desse artigo: o que significa para você seu trabalho, sua empresa? O que representa o ambiente onde você passa mais de 50% de seu tempo útil e drena diariamente mais de 50% de sua energia de vida? É um ‘sagrado ofício’ ou somente um sacrifício que você não vê a hora de acabar?
Essa pergunta vale tanto para você sócio, empreendedor, como para você funcionário, colaborador, associado (ou qualquer outro eufemismo utilizado para designar um ‘empregado’, ou um ‘trabalhador’…).
A questão não tem a ver com sua posição em um empreendimento; na verdade, relaciona-se com o tempo e com a energia que você dedica à sua empresa ou a seu trabalho e como você se sente ao aplicar essa energia.
A importância de avaliar a resposta a essa questão, reside no fato de que mais da metade de nosso tempo útil e de nossa energia são dedicados ao trabalho, e o modo como nos sentimos durante esse período afeta diretamente a outra metade do tempo útil de que dispomos!
Será que você trabalha tanto exclusivamente em troca do que o agente econômico lhe oferece? Ou seja: uma remuneração (pro-labore e lucros para o empreendedor; salários, horas extras, PMR para os funcionários); alguns benefícios (assistência médica, educacional, refeição, etc.); ou ainda a expectativa de uma boa aposentadoria no futuro?
Ou será que você enxerga seu trabalho ou sua empresa como um importante meio, um instrumento de realização pessoal, vivenciada diariamente? Seu trabalho tem sido um veículo para você satisfazer suas necessidades de segurança, de conexão, de reconhecimento?
Ele tem lhe possibilitado crescer, evoluir nas várias dimensões de sua vida? Tem lhe permitido contribuir, exercitar seus talentos e cumprir seu propósito de vida? Ele está alinhado com seus mais importantes valores?
Lembre-se: seu trabalho representa mais de 50% de toda sua vida útil… por isso é tão importante refletir sobre essas questões!
Como argumento crítico para incitar sua reflexão cabe destacar que a vida não é ‘quando’ (quando der a hora de ir embora; quando chegar a sexta-feira; quando o chefe sair; quando vierem as férias; o décimo terceiro; ou quando chegar a aposentadoria…).
A vida é enquanto (enquanto você espera, se angustia e se corrói pela expectativa e pelo risco de tudo isso não se realizar, até porque, ‘quando’ é só um ponto imaginário de um futuro incerto!)
Se você, em seu trabalho, simplesmente está deixando sua existência passar, sentindo-se dependente de circunstâncias externas, avalie se já não é a hora de assumir o controle de sua energia e passar a viver todo esse tempo de forma mais assertiva, mais útil e prazerosa. Ainda é possível e você merece! Boas escolhas!
Abraços
Walter Sanzovo
• Mentor • Psicanalista •
• Hipnoterapeuta • Coach •
Desenvolvimento e manutenção: Ideias e Talentos Publicidade
Web Designer Responsável: Val Barion