Felicidade: uma busca constante

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Inicialmente, cabe destacar que os comentários que seguem são apenas observações pessoais, pois se o tema é vasto, profundo e talvez seja uma das grandes questões que permeia nossa evolução como ser humano, eu, como um desses seres, me senti com permissão de dar meus palpites sobre a questão.

O ponto de partida ...

A ideia de escrever esse texto teve início a partir da leitura de alguns trechos do livro Uma Breve História da Humanidade – Sapiens –  do autor israelense Yuval Noah Harari, que cita uma gama de referências muito ricas sobre felicidade e o sentido da vida, indo desde a ótica econômica, passando por conceitos como o liberalismo, abordando a visão da biologia, da filosofia, da psicologia, da religião; valendo-se de estudos e de pontos de vista de Daniel Kahneman, Nietzsche, Darwin, São Paulo, Santo Agostinho, dentre outros; mencionando o Oráculo de Delphos e desaguando em conceitos e ensinamentos de Buda!

Com tudo isso, conclui-se que ainda estamos engatinhando na busca de uma definição final sobre felicidade e sentido da vida: será que felicidade são meros prazeres fugazes? Devemos buscá-la fora ou dentro de nós? Será possível que uma vida de sofrimento com sentido pode gerar felicidade? Ou mesmo, se desistirmos de persegui-la, acabaremos por encontrar a paz e, então, seremos felizes?  Quem sabe?
Nesse mar de possibilidades, meu pensamento sobre o tema se assenta sobre alguns pilares que comento a seguir.

De início, observe-se que até a constituição americana estabelece que todo homem tem direito à felicidade, entendendo que ela seja talvez um direito, um objeto jurídico, ou algo a conquistar e que possa ser garantida pelo Estado ou por doutrinas ou regimes. A meu ver, felicidade é um estado emocional e, portanto, algo subjetivo sim, individual, que brota de nossa realidade interna.  Logo, parece-me claro que, assim como a vida, a felicidade é algo que se manifesta de dentro para fora e não de fora para dentro. Naturalmente, sofremos intensa influência do meio, do externo, mas o que nos fará bem ou mal é o significado que damos a tudo a que estamos expostos. Nesse sentido, parece que felicidade pode ser também uma questão de escolha, e a pergunta que surge então é; o que determina nossas escolhas?  Afinal, conforme afirma Victor Frankl, entre um estímulo e nossa reação a ele, temos a suprema liberdade de escolher a resposta a ser dada a esse estímulo.

Em meu entendimento, volto ao que o autor Yuval Harari chamou de conceito biológico: se considerarmos que felicidade é um estado emocional, se estado emocional diz respeito aos sentimentos que sentimos, os quais correspondem à interpretação que damos às emoções que nosso corpo manifesta, acredito então que felicidade é um estado no qual experimentamos emoções e sentimentos positivos, agradáveis. Isso nos leva ao raciocínio de que a qualidade de nossos sentimentos e emoções determina, conforme afirmam diversos autores, a qualidade da vida que levamos, e uma vida de boa qualidade (de muitos sentimentos positivos) pode ser um dos importantes indicadores de uma vida feliz.
O que nos faz sentir emoções e sentimentos (positivos ou negativos), é o significado que damos aos eventos que nos afetam e este significado tem tudo a ver com nossos valores, nossas crenças e todos os nossos registros emocionais. É esse conjunto que nos ajuda a conferir um sentido, uma noção de propósito, de como entendemos o porquê de estarmos por aqui neste mundo.

Felicidade e propósito de vida ....

Sobre a importância do propósito de vida, vale ainda citar Victor Frankl quando afirma que uma vida pode passar a ser boa quando a ela for conferido um sentido, ou ainda quando ele oferece sua definição de desespero: desespero = sofrimento sem sentido. Dessa forma podemos compreender que com um propósito definido fica mais fácil escolhermos significados para dar ao que nos acontece, e assim experimentarmos emoções e sentimentos positivos (que nos permitirão sentir momentos e estados de felicidade), ou emoções e sentimentos negativos (que, na maioria das vezes, se forem intensos e contínuos, contribuirão para nossa infelicidade).

Penso que propósito de vida tem a ver com marcar a presença no mundo em que se vive; tem a ver com sentir-se útil; contribuir, deixar um legado e, fundamentalmente, curtir com alegria a construção desse legado; transcender ao físico, ligar-se a um sentido mais amplo, espiritual da vida. Sob esse aspecto, parece-me claro o seguinte: sentimo-nos bem quando temos um parâmetro (propósito definido) para avaliar a direção de nossas ações e para sabermos porque passamos momentos difíceis, e sentimo-nos felizes quando nossas ações ou mesmos nossos sofrimentos convergem para nosso propósito de vida, expressos em grande parte por comportamentos que vão de encontro a nossos valores.

Um apoio na filosofia...

Outro aspecto interessante a ser inserido no raciocínio diz respeito a referências filosóficas sobre como lidamos com nossas metas. A primeira delas pode ser expressa na seguinte questão:  será que minha meta é conquistar, conseguir, obter coisas (o que tem feito a humanidade progredir), porém, isso me leva só a desejar, a amar o que não tenho, pois ao conseguir já não desejo mais? Onde estaria a felicidade nesse contexto: será que só no futuro (ou nunca) dado que serei feliz por um minuto ao conquistar o que desejo e logo estarei infeliz por não desejar mais o que já tenho? Esse raciocínio está ligado a ideias de amor e desejo de Platão, e se associa com o prazer fugaz, com a felicidade momentânea.

Já outra referência importante, está associada a ideias desenvolvidas por Aristóteles e poderia ser contemplada na seguinte questão: minha meta não poderia ser também, e principalmente, realizar o que é mais relevante para mim, mais congruente com meu propósito de vida e com meus valores? Isso não me faria sentir mais alegre, mais grato pelo que posso fazer, pelo meu potencial que está à minha disposição e que me faz bem? Sem dúvida, a combinação das duas ideias sobre metas e desejos parece fazer mais sentido para a realização humana. Podemos nos sentir felizes quando damos o nosso máximo potencial em prol de algo bom, útil; isso nos tira a cobrança de metas cujas variáveis não estão sob nosso controle, mas garante nosso bem-estar quando estamos cientes de que realizamos nossa melhor performance (isso está sob nosso controle).

Passando pela psicanálise...

Vale colocar em evidência duas conotações ligadas à psicanálise, mas exclusivamente derivadas de minha percepção (sujeitas pois a toda sorte de ‘chuvas e trovoadas´). Uma delas tem por base referências de Freud, cuja interpretação com viés bem pessimista, pode nos levar a crer que estejamos fadados a passar a vida nos defendendo de nossos recalques e de nossas neuroses. Se assim for, o conceito de felicidade teria uma conotação bem restrita, já que poderia estar associado a momentos de equilíbrio e bem-estar do Ego, quando o Id estaria ‘quieto’, sem enviar pulsões ao Ego e este não estaria sendo assolado por censuras do Superego, ou seja, felicidade nesse caso poderia significar simplesmente ausência de conflito. De outra parte, arrisco a sugerir que, sob a ótica de Jung, felicidade talvez pudesse corresponder ao processo de individuação, de nos integrarmos conosco (reconhecendo nossa parte luz/virtudes e nossa parte sombra/vícios) e nos integrarmos com o todo que nos cerca, gerando as condições de nos autorrealizar, de manifestar nossa essência, nosso self, nossos dons e talentos em prol da nossa evolução e da evolução desse todo no qual está inserida nossa vida (talvez, nosso maior propósito).

Vale arriscar também associar conceitos de felicidade e de propósito de vida a algumas ideias do psicólogo Maslow. Para ele, nosso destino (maior propósito) é satisfazer necessidades essenciais básicas do ser humano, quais sejam: necessidade de conexão, de segurança, de variedade, de reconhecimento, de contribuição e de autorrealização. Talvez pudéssemos, nesse caso, considerar que felicidade é poder realizar a satisfação dessas necessidades de forma continua, construtiva, portanto sustentável. Um exemplo interessante desse processo, é a percepção final do protagonista do filme ‘Into the Wild’, quando no limiar de sua jornada constata: ‘felicidade só existe quando é compartilhada’.

Resumindo....

Penso que felicidade é sentirmo-nos bem na maior parte do tempo (experimentar emoções e sentimentos positivos) enquanto buscamos, usando nosso melhor potencial, sermos úteis ao realizar nosso propósito; ou, em outros termos, usufruir da busca, no presente, de tudo o que de bom desejarmos sentir no futuro; ou ainda, conforme o jargão tão batido, curtir o caminho e não só a chegada (pois podemos não chegar…); em suma, sem joguinho de palavras, é sentirmo-nos felizes enquanto buscamos a tal felicidade.

Se um comportamento mais adequado para isso for observar e não se apegar a desejos (desejo de se obter o que não se tem ou de não perder o que já está à disposição), ok, que assim seja e viva o budismo. Porém, acima de tudo, parece que alguma Inteligência Superior, em sua suprema sabedoria, colocou-nos num jogo curioso, onde, ao usufruir de nossos dons e talentos para sermos úteis, o maior indicador de nossa alegria e felicidade, será a alegria e felicidade de nosso próximo, que reflete nele o resultado das nossas ações. E assim se consolida um parâmetro que se mostra essencial para a avaliação do tema, ao nos permitir perceber que estar  feliz é promover a felicidade do outro!

Walter Sanzovo

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WALTER SANZOVO

• Mentor • Psicanalista •
• Hipnoterapeuta • Coach •

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