Dentro dos limites possíveis, ao fazermos nossas escolhas sobre os meios que utilizamos para satisfazer nossas necessidades existenciais, interagimos com esses meios (pessoas, coisas, sistemas) através de nossos órgãos dos sentidos. Percebemos, captamos e interiorizamos as percepções corporais (emoções) derivadas dos estímulos colhidos por nossos olhos, ouvidos, tato, nosso olfato e nosso paladar.
São esses os instrumentos físicos de que nosso corpo dispõe para interagir com o meio ambiente e que nos permitem iniciar o processo de experimentar a vida. (Nesse raciocínio vamos abdicar, por ora, de refletir sobre outros meios de percepção e captação).
Partindo da premissa inicial (só por enquanto) de que a fonte dos estímulos advém da interação do ser com o meio onde vive, ou seja, os estímulos são externos, observamos que a percepção e captação desses estímulos por nossos órgãos dos sentidos através da escolha dos meios para satisfazer nossas necessidades, é uma parte crucial do processo de sentirmos a vida.
O que complementará esse processo é como essas informações e estímulos captados serão processados pela parte do cérebro – cérebro límbico – que traduz para o corpo as sensações que chamamos de emoções (elemento físico) e como essas emoções serão interpretadas por nosso intelecto em outra parte do cérebro – o neocórtex – gerando os sentimentos (elemento não físico), os quais definirão nossas respostas a esses estímulos: nosso comportamento.
Esse processo é contínuo, pois estamos a todo momento captando, interpretando estímulos e sentindo emoções, que geram sentimentos, os quais nos farão agir ou apenas reagir, gerando como resposta novos estímulos e informações a quem nos estimulou, cujas reações, por sua vez, produzirão novos estímulos e informações para nós, que serão novamente captados, interpretados…, repetindo assim esse ciclo sucessivamente.
Por essa razão é que você deve ter ouvido inúmeras vezes que somos, em grande parte, resultado de com quem (ou com o que) convivemos e de tudo aquilo que captamos e interiorizamos: seja o conjunto de ações que presenciamos ou que nos afetam; sejam as notícias e informações que captamos; os filmes que vemos, as músicas que ouvimos; sejam os alimentos dos quais nos nutrimos, etc.
Assim, mantendo a analogia de nosso organismo com um computador pessoal ou celular, todo esse conjunto de ‘entradas’ captados por nosso ‘hardware’, será processado e interpretado por nosso ‘software específico’, gerando novas ‘saídas’ continuamente. As emoções e sentimentos que nos proporcionam essa dinâmica podemos considerar como uma representação das mais importantes sobre o que entendemos por viver.
Parece até possível dizer, de forma bem simplória e ampla, que viver é o contínuo experimentar de nossas emoções e sentimentos, enquanto nosso organismo exerce e mantém suas funções físicas….
Dessa forma, se você rememorar seu dia de ontem e observar que nesse dia você sentiu mais vezes ou mais intensamente emoções que se converteram em sentimentos como alegria, vigor, coragem, disponibilidade para ajudar, serenidade, paz ou segurança (vamos chamar essas emoções e, especialmente, esses sentimentos de positivos) você classificaria esse dia como um bom dia? Certamente, sim.
Agora, se ao olhar para seu dia de ontem você constata que sentiu mais vezes ou mais intensamente emoções que passaram a significar sentimentos de raiva, desânimo, tristeza, medo, preocupação, mágoa, culpa… (chamemos essas emoções e sentimentos de negativos), seria adequado classificar esse dia como um bom dia? Certamente não; esse foi um dia ruim, correto?
Podemos assim considerar que um dia será bom quando sentirmos intensamente ao longo de sua duração mais emoções e sentimentos positivos e, ao contrário, o dia será ruim se durante suas horas sentirmos intensamente mais emoções e sentimentos negativos.
Esse raciocínio simples nos induz a uma conclusão altamente relevante: se considerarmos a vida, em sua dimensão temporal, como uma sucessão de dias; se os dias são bons ou ruins conforme a predominância das emoções e sentimentos que experimentamos, logo, teremos uma vida boa ou ruim conforme o tipo de emoção e sentimento que vivenciarmos diariamente. Por isso, com base nessa abordagem, podemos compreender e aderir à conclusão de renomados autores e estudiosos quando afirmam: a qualidade de nossas vidas é a qualidade das emoções e sentimentos que experimentamos cotidianamente!
Mencionamos aqui emoções e sentimentos sempre conjuntamente, porque, conforme já citado nos capítulos iniciais de nossas Reflexões, os elementos físicos e não físicos acabam por se influenciarem mutuamente, ora como causa, ora como efeito, em suas manifestações no nosso ‘equipamento’ orgânico.
Cabe salientar que a denominação ´positiva’ ou ‘negativa’ aqui adotada para uma emoção ou sentimento, diz respeito muito particularmente aos sentimentos, isto é, a como interpretamos as emoções e atribuímos significado a elas e a seu efeito no organismo, o que não quer dizer que sentimentos ´negativos’ sejam inúteis.
Ao contrário, muitas vezes é o medo que nos protege; é a raiva que nos empurra para agir; é a preocupação que nos ajuda a evitar erros; ou a tristeza que nos faz refletir (vide filme ‘DivertidaMente’, dos estúdios Disney). O que se ressalta aqui é: viver intensamente mais tempo só com emoções que resultam em sentimentos negativos, não nos leva a uma vida saudável e de bem-estar.
Agora é muito provável que lhe venha à mente uma das mais importantes questões desta reflexão: se o que torna sua vida boa ou ruim, se a qualidade da vida que leva é a qualidade das emoções e, em especial, a qualidade dos sentimentos que você sente, o que faz com que, perante um estímulo que provoca uma emoção, você gere um sentimento positivo – que o deixará muito bem – ou crie um sentimento negativo – que fará com que você se sinta mal?
A busca de uma resposta para essa questão de suma importância, é o tema de nosso próximo encontro em nosso giro por essas Reflexões.
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