Esse ser físico e não-físico, que vive buscando a satisfação de suas necessidades fundamentais, dispõe de alguma liberdade para escolher como irá satisfazê-las: sim, temos opções! Ainda que pesem com muita intensidade os fatores culturais, o ambiente socioeconômico, o núcleo religioso e familiar, podemos nos utilizar, em alguma escala, de um certo grau de livre-arbítrio na escolha de quais meios, quais instrumentos, quais recursos utilizaremos para satisfazer nossas necessidades existenciais básicas!
Podemos classificá-los, por exemplo, em três grandes grupos: geralmente escolhemos as pessoas, as coisas e/ou os sistemas como recursos para satisfazer nossas necessidades. Entenda-se por sistemas aqui, qualquer conjunto de conhecimentos estruturados; ou instituições, associações e organizações sociais (dentro das quais, naturalmente, encontram-se pessoas ou coisas…).
Nesse sentido mais amplo, satisfazemos nossas necessidades essenciais utilizando-nos de familiares, amigos, parceiros afetivos, ou mesmo desafetos; usufruindo de bens e serviços em geral, como casa, carro, utensílios da moda, bens materiais e serviços diversos; ou ainda, recorrendo a conhecimentos variados, como a psicanálise, as ciências, ou instituições, como grupos religiosos, por exemplo.
Assim também, são utilizados elementos como o corpo, sexo, drogas, dinheiro, carreira e trabalho, etc., tudo isso como meios, como instrumentos para a satisfação de nossas necessidades existenciais físicas (demandas fisiológicas) e não físicas (Certeza ou Segurança, Incerteza ou Variedade, Conexão, Reconhecimento, Expansão ou Crescimento e Autorrealização).
A essa altura é de se perguntar: qual a vantagem de saber isso? Por que é tão importante identificar e diferenciar os meios que satisfazem as necessidades das próprias necessidades em si? Por uma razão crucial: os meios nós escolhemos, já as necessidades, não; essas são o nosso destino, nossa finalidade enquanto seres humanos (isso, naturalmente, de acordo com a abordagem aqui adotada).
Por exemplo, se perguntarmos a um indivíduo sobre quais são seus objetivos na vida, é muito provável que a resposta contenha algo do tipo ´ter uma bela casa num lugar muito bom, dispor de um excelente carro, ter um trabalho muito bem remunerado e uma carreira de sucesso, conseguir parceiro(a) ideal; viajar, aproveitar as coisas boas da vida…etc´. Observe que, neste caso, o que foi citado como objetivos, de fato são meios, já que os verdadeiros objetivos são, na realidade, a satisfação das necessidades fundamentais inerentes a esse indivíduo.
Reforçando: sobre as necessidades não temos ação alguma; já sobre os meios de satisfazê-las, dispomos de alguma margem de decisão; podemos fazer algumas escolhas.
Um aspecto cruel dessa abordagem sobre meios e fins, é que os meios que escolhemos para satisfazer nossas necessidades são amorais, ou seja, podemos usar um meio bom, correto, ético ou também pode ser usado um meio inadequado, ruim, destrutivo: a curto prazo, qualquer uma das escolhas poderá satisfazer uma ou mais de nossas necessidades existenciais básicas ….
Exemplificando: alguém que no inverno junta-se a um grupo de ajuda para oferecer sopa quente aos que vivem na rua ou embaixo de viadutos, sente certeza e segurança em ajudar, pois a ajuda não lhe fará falta; consegue obter conexão, reconhecimento de quem recebe a sopa; sente a variedade nesta oferta, pois não sabe quem irá encontrar (pode até levar um ‘contra’ ao invés de um agradecimento); percebe-se contribuindo, sendo útil e, se gosta de cozinhar e preparou a sopa então: ‘uau’! Pode se autorrealizar!
Este é, de fato, um meio, um veículo nobre, completo, cuja escolha pode satisfazer, em um dado momento, a todas as suas necessidades fundamentais de uma única vez.
Por outro lado, imagine um assaltante abordando uma vítima: ele está seguro e sente certeza, comandando a situação; experimenta a variedade e a incerteza, seja por não saber o que vai roubar, seja pela adrenalina de correr o risco de ser pego; sente a conexão direta com a vítima e o profundo reconhecimento, respeito e temor por parte dela, pois a vida da vítima está em suas mãos…
Esta é uma forma completamente inadequada, mas satisfaz momentaneamente a pelo menos quatro das necessidades básicas; o mesmo ocorre com as drogas, veículo que pode satisfazer necessidades no momento, mas cuja utilização é insustentável e destrutiva a médio e longo prazo.
Assim, dentro de um certo leque de opções, a escolha dos meios que utilizamos para satisfazer nossas necessidades essenciais pode ser considerada a primeira aplicação relevante, ainda que parcial, de nosso livre-arbítrio. A segunda, e talvez a mais importante dentre nossas escolhas, será abordada em capítulo específico de nossas Reflexões.
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