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Reflexões

7. SR - Nossas Necessidades Existenciais ( Parte IV)

Viver bem é tudo! Mas evoluir seria uma consequência óbvia, natural? Ou Você pode viver sem satisfazer as necessidade existenciais mais elevadas?

Continuando a refletir sobre nossas necessidades essenciais, percebemos que os pares de necessidades que se opõem entre si na busca de nosso esforço e que competem por nossa energia – Conexão versus Reconhecimento, e Certeza versus Variedade – estão a todo momento presentes em nosso dia a dia. É a dualidade se manifestando novamente. Podemos até afirmar que todas as nossas ações, ou mesmo todas as nossas não ações (quando escolhemos não fazer nada), são atitudes tomadas para satisfazer a uma ou mais dessas necessidades.  

 

Na abordagem que está norteando nossas reflexões, consideramos que o atendimento a nossas necessidades existenciais são nossos verdadeiros objetivos finais de vida: vivemos para satisfazer tais necessidades! Se existimos, nosso destino é buscar satisfazê-las!

 

Necessidades de Expansão ou Contribuição e de Autorrealização ou de Expressão do Self

Além dessas quatro necessidades existenciais básicas, há outras duas necessidades fundamentais que compõem nosso ‘destino’ e que se apresentam à medida em que ampliamos nosso nível de consciência: são as necessidades de Expansão ou Contribuição e de Autorrealização ou Expressão do Self (nossa essência).

Se as necessidades de Certeza e Variedade e de Conexão e Reconhecimento fazem parte de nosso cotidiano, essas outras duas necessidades tem um caráter superior, mais elevado, pois sinalizam um estágio de evolução da jornada humana, nem sempre alcançado por grande parte dos indivíduos: muitos passam pela vida sem experimentar a sensação de satisfazê-las; não se expandem e não se autorrealizam.

Assim, a necessidade denominada de Expansão ou Contribuição se manifesta após atendidas de forma satisfatória as necessidades existenciais básicas – físicas e não físicas  –  que a antecedem na escala de importância, ou seja, o indivíduo buscará formas de expandir suas ações e contribuir com os outros, com a comunidade ou sociedade onde vive, na medida em que se sinta confortável com os níveis de satisfação de suas necessidades essenciais Fisiológicas, de Conexão, de Reconhecimento, de Certeza e Variedade.

Tanto assim, que a hierarquia das necessidades humanas desenhada por Maslow, encontra, em uma afirmação atribuída provavelmente ao papa João XXIII, uma curiosa confirmação: “ninguém consegue ter fé de barriga vazia”. 

Essa necessidade mais elevada é evidenciada, por exemplo, quando o indivíduo sente uma propensão a fazer algo não só para si, mas para ajudar o meio em que vive, expandindo sua atuação para contribuir com a melhoria de vida de seus semelhantes.

É esse sentimento que promove a benemerência, o trabalho voluntário, a sustentação das organizações sociais, o auxílio desinteressado (?) e até, quando culturalmente arraigado, o hábito de os empresários bem-sucedidos destinarem recursos significativos a instituições e fundações de cunho social. (Cabe observar que ações dessa natureza também são veículos que podem atender à necessidade de Reconhecimento…).

Agora, será que alguém, após sentir-se seguro, reconhecido, conectado, com uma vida movimentada, contributivo, ampliando suas ações de modo a gerar benefícios a terceiros, pode ainda se sentir de alguma forma incompleto?  O que ainda faltaria para promover o prazer de se sentir pleno?  Como preencher um certo vazio que ainda insiste em incomodar?   

Respostas a essas questões estarão mais claras quando este indivíduo manifestar seus dons, exercitar seus talentos; sentir-se útil ao fazer o que de fato gosta. Quando ele satisfizer a necessidade de Expressão de seu Self, vivenciando sua essência; em suma, quando ele souber e praticar o motivo, a razão de sua existência; quando ele concretizar diariamente seu propósito de vida, o que corresponde a alcançar a sua Autorrealização!

Isso significa que alguém que tem um talento especial precisa usufruir dele para sentir-se completo, ou seja, alguém com um talento musical somente se sentirá completo quando se dedicar, ainda que por algum tempo, à música; um indivíduo com aptidões para a cozinha, precisará cozinhar; alguém com um talento para pinturas, terá que pintar; outro, muito bom em gestão, deverá ser útil através do administrar, e assim por diante.

 

A manifestação de nosso Self (nossa essência) pode estar intimamente ligada à descoberta de nossos propósitos, de nossa missão de vida, já que nos realizamos e nos diferenciamos fazendo o que temos facilidade de fazer melhor; somos bons, naturais, quando exercemos nossos talentos, nossos dons. É quando se torna prazeroso e fácil sentirmo-nos úteis. É a realização do que chamamos de dimensão espiritual.

 

Essa forma de pensar sobre nossas necessidades fundamentais, leva-nos, de modo geral,  a considerá-las como sendo inerentes ao fato de estarmos vivos; elas estão presentes em todos os estágios de nossa vida, desde a criança até a maturidade, percorrendo a fase adulta até a morte.

 

Podemos associá-las à Psicanálise, por exemplo, quando Freud desenvolveu os estudos das fases psíquicas relacionadas ao desenvolvimento físico do indivíduo.  Nas fases oral (uso predominante da boca) e anal (controle da defecção e da urina), predominam as necessidades de Conexão e Segurança, que, se não satisfeitas, influenciarão comportamentos futuros no enfrentamento dos sentimentos de insegurança e abandono.

 

A necessidade de Reconhecimento se associa mais fortemente à fase fálica (percepção das diferenças entre órgãos sexuais masculino e feminino) e a necessidade de Conexão surge novamente na fase de latência, juntamente com a necessidade de Variedade; ambas predominam nas relações sociais da criança, que se intensificam nesse período.

 

Na sequência, tais necessidades se manifestarão ao longo da fase genital (na puberdade), na adolescência e ao longo de toda a vida, requerendo formas diferenciadas de satisfação, conforme o estágio de evolução do indivíduo. Da mesma forma, as necessidades de Expansão e Autorrealização, tendem a se apresentar mais intensamente na medida em que o indivíduo alcança a maturidade de sua consciência.

 

Um ponto a destacar é que, assim como nossas dimensões físicas e não físicas são interdependentes e manifestam-se a todo momento, também nossas necessidades essenciais demandam sua satisfação continuamente: não é porque já estamos em um nível mais evoluído satisfazendo, por exemplo, a necessidade de Expansão e Crescimento, que as outras necessidades se mantém ‘quietas’; elas precisam continuar sendo satisfeitas.

 

E você? Nos momentos de desconforto, de tristeza, de apatia, por exemplo, consegue identificar qual ou quais necessidades suas não estão sendo atendidas? E em seus momentos mais alegres e felizes, quais necessidades estão sendo satisfeitas de forma plena? Conhecer a origens dessas percepções é uma das bases de nosso autoconhecimento.

 

Da mesma forma que se associam o que chamamos de dimensões físicas e não físicas do ser humano, também as necessidades fundamentais se interligam, possibilitando que um único meio, recurso, ou instrumento utilizado para satisfazer uma necessidade, também possa servir para satisfazer outras.

 

São exatamente esses meios que utilizamos para satisfazer nossas necessidades existenciais, que serão objeto de nossa próxima Reflexão.

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WALTER SANZOVO

• Mentor • Psicanalista •
• Hipnoterapeuta • Coach •

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