Dentre as muitas formas de se identificar e se rotular comportamentos em nossas relações diárias, três posturas se destacam nas várias dimensões de nossa convivência, seja no âmbito pessoal, profissional, afetivo ou social. Podemos chamá-las de: a postura do ‘Mandão’, do ‘Submisso’ e do ‘Negociador’.
Cada uma delas tem origem na maneira como nos adaptamos à nossa realidade ao longo da vida e nos vários ambientes, para satisfazer nossas necessidades essenciais, sejam elas de segurança, de autonomia; de reconhecimento, de valorização; ou de conexão com as pessoas, por exemplo.
É típico do comportamento ‘Mandão’ a imposição de uma autoridade exacerbada, da não aceitação de contestações; pois afinal, como ‘dono da verdade’, sente-se superior, forte e não precisa ouvir, basta mandar e pronto! Tem como característica uma autoestima que se parece com uma bexiga cheia, porém, de parede muito fina: qualquer cutucada mais forte, estoura! Vive bem enquanto houver quem o obedeça (ainda que por opressão e não por respeito). Mesmo que se sinta inseguro, prevalece sua necessidade de reconhecimento, que é enorme.
O comportamento ‘Submisso’ se manifesta por atitudes de concordância plena e constante (porém falsa), um ‘sim senhor’ que obedece sempre, sem argumentar; uma postura de inferioridade, de receio de contrariar, de vítima, de passividade. O que manifesta é falso, porque no íntimo deseja outra coisa: discordar, contestar, xingar…, mas a sua necessidade de segurança é tão intensa que acaba por se anular para manter a relação. Sua autoestima equivale a uma bexiga murcha, que nunca está plena.
Já a característica principal de um tipo ‘Negociador’ é a empatia: ele consegue perceber, ouvir e compreender os dois lados de uma questão; sabe dizer sim e não, de forma firme mas pacífica (não passiva); não é superior nem inferior, considera-se um igual e negocia com o outro (e no limite, com ele próprio) a melhor solução. Mantendo a analogia da bexiga, sua autoestima é representada por uma bexiga cheia, mas de parede grossa, capaz de levar ‘cutucadas’ sem estourar e sempre voltando ao estado original, ou seja, é resiliente.
Embora possa haver alguma predominância desses tipos de comportamento, é muito comum que em um ou outro momento, cada um de nós se perceba agindo ora como ‘Mandão’, ora como ‘Submisso’, ou como um ‘Negociador’, nos diversos ambientes onde atuamos.
É o caso, por exemplo, daquele chefe ‘Mandão’ que destila todo seu ‘poder e autoridade’ perante seus subordinados, mas quando está diante de seu gerente se transforma naquele tipo que diz ‘sim senhor’ para tudo que seu superior comenta; ou, esse mesmo chefe durão, quando chega em casa torna-se o ‘carneirinho submisso’ de sua amada e poderosa esposa…
De forma análoga, aquele funcionário que se mostra sempre ‘humilde’ e à disposição para atender o chefe tirano no trabalho (mesmo que guarde uma raiva profunda deste ser), ao chegar em casa, pode abandonar a postura de ‘Submisso’ e transformar-se no ‘Mandão’ que ´solta os cachorros’ na pobre da esposa e dos filhos…
Isso mostra que todos nós ‘navegamos’ por esses estados de comportamento conforme o ambiente e as estruturas de hierarquias a que nos expomos, assumindo em várias ocasiões também a postura do ‘Negociador’ sensato, que ajuda construir melhores relações.
Vale notar que tanto o ‘Mandão’, em sua busca incessante por reconhecimento, quanto o ‘Submisso’, em sua busca constante por segurança, apresentam dois traços importantes em comum. O primeiro, é que ambos, cada um a seu modo e de forma oposta, visam sempre ao atendimento de seus próprios interesses; são, portanto, eminentemente egocêntricos. O segundo traço em comum é que, justamente por conta das necessidades a serem atendidas, ambos apresentam uma grande dependência emocional dos outros.
Ambos mostram uma consciência parcial dos fatos e dos interesses, um comportamento onde transparece nas relações a criança carente de cada um.
Já o comportamento de ‘Negociador’, por focar em soluções que atendam a ambos os lados, permite desenvolver uma consciência mais ampliada do todo; ao se permitir olhar e compreender o outro lado, facilita a percepção de que outro também tem questões a resolver e ele, o ‘Negociador’, não é o problema. Isso lhe confere maior autonomia emocional nas relações, atitudes mais próprias do adulto, que busca soluções e se ofende e se perturba menos com as manifestações dos outros a seu respeito.
Qual desses três tipos sofre mais?
Parece claro que o ‘Submisso’, por estar em constante negação e anulação de suas vontades, acaba por sofrer mais, já que o ‘Mandão’, enquanto houver alguém que o reconheça, ainda que falsamente, pode se sentir bem, mesmo que de forma frágil.
Por essa razão, muito embora não sejamos nenhum Dalai Lama ou nenhuma Madre Teresa, a busca por permanecermos mais tempo no comportamento ‘Negociador’, parece ser mais saudável e inteligente, além de possibilitar a construção de relações sociais mais sólidas e verdadeiras.
Boa sorte nas suas escolhas!
Abraços
Walter Sanzovo
• Mentor • Psicanalista •
• Hipnoterapeuta • Coach •
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