Em nossa abordagem dual do ser humano, identificamos elementos que apresentam características físicas, visíveis, expressas por nosso corpo e características não físicas, não visíveis, representadas especialmente por nossos pensamentos e sentimentos.
Não é demais repetir que esta separação das dimensões físicas e não físicas tem somente o objetivo de permitir uma forma inicial de olhar para nosso complexo funcionamento, lembrando que esta abordagem é apenas um dos inúmeros pontos de vista sobre como entrar em contato com o imenso conjunto de variáveis que afetam nossa forma de ser e de se comportar.
A busca por um entendimento mínimo sobre como essas dimensões físicas e não físicas se entrelaçam é um dos mais importantes instrumentos para evoluirmos rumo a um estado de bem-estar.
O maior complicador
O que complica profundamente a compreensão sobre como atuam as mais importantes variáveis que nos afetam é justamente a dinâmica de funcionamento dessas dimensões físicas e não físicas.
Ela não obedece a uma ordem clara sequencial de causa e efeito: tudo ocorre de forma quase simultânea, tudo ‘junto e misturado’, evidenciando uma interdependência total e uma influência mútua entre essas dimensões. Nós atuamos como um complexo sistema inteiramente integrado.
Assim, se não estivermos bem fisicamente, seja pelo mal funcionamento de nosso organismo, seja pelas emoções que ele manifesta, serão afetadas também a dimensão dos sentimentos e as dimensões intelectual e espiritual; se vivenciarmos alguma desarmonia em nossos sentimentos, serão afetadas as dimensões física, intelectual e espiritual. Da mesma forma, se não estivermos equilibrados intelectualmente, poderá haver impactos em nossa condição física, na dimensão dos sentimentos e na dimensão espiritual.
Assim também, se não estivermos alinhados na dimensão espiritual, serão sentidos os efeitos nas outras dimensões: física, dos sentimentos e intelectual. Todas essas dimensões estão interligadas e interferem umas nas outras, atuando ora como causa ou origem, ora como efeito ou resultado!
Essa interligação pode ser melhor compreendida por meio de um simples exemplo. Você alguma vez já se pegou pensando e preocupado com um evento futuro? Seja um encontro afetivo ou uma reunião profissional – com um cliente, fornecedor ou com seu gestor; uma prova de conhecimentos, uma competição, ou ainda com o resultado de um exame de saúde?
Em qualquer um desses casos você está focando seu pensamento para criar uma imagem, uma avaliação sobre esses eventos e, se está preocupado, é porque a situação imaginada ou avaliada não é totalmente boa ou segura. Nesse momento, sua dimensão física pode ser afetada e manifestar alguma emoção: “dá calafrio, dor de barriga, só de pensar! ”. Essa emoção, ao ser interpretada pelo intelecto, pelo raciocínio, recebe um nome e gera um sentimento, como por exemplo, de ansiedade, ou medo.
A constatação desse sentimento pode voltar a influenciar a parte física provocando mais emoções, como excitação, mais tensão, batimentos cardíacos mais acelerados, aperto no peito e na garganta, o que, por sua vez, volta a ser interpretado pelo intelecto, agora adquirindo o significado de pânico, intensificando ainda mais as manifestações físicas. Esse processo pode chegar ao ponto de gerar um questionamento de maior amplitude, como por exemplo, “porque estou sofrendo com tudo isso? Será que estou fazendo a coisa certa na vida”, que começa a esbarrar na avaliação da missão ou propósito de vida, cuja essência se vincula à dimensão aqui chamada de espiritual.
Observe, através desse pequeno exemplo, o que um simples pensamento pode desencadear de influências mútuas entre nossas dimensões físicas e não físicas, enquanto dualidades ou partes que compõem um sistema integrado que somos cada um de nós.
Segundo os estudiosos, em termos cerebrais as dimensões aqui chamadas de intelectual e espiritual, devem estar mais correlacionadas com o ‘neo cortex’, parte do cérebro própria do ser humano; um dos elementos que o diferencia dos demais seres na escala evolutiva. É essa parte a responsável por gerar sentimentos (emoções interpretadas), o que será abordado em capítulo específico de nossas Reflexões, especialmente, quando refletirmos sobre ‘significado’.
Com engrenagens tão complexas interagindo a todo momento e sem uma sequência definida, é de se perguntar: ‘ O que este fantástico ser vive fazendo neste mundo? ’. Dentre as inúmeras possibilidades -inclusive filosóficas- de especular sobre respostas plausíveis para essa questão, acredito que pode ser útil focar em um elemento inescapável a todo ser humano, de acordo com a abordagem aqui adotada: suas necessidades existenciais básicas ou necessidades fundamentais!
Este será o tema de nossa próxima Reflexão.
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